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ciclos, nostradamus.
neste carnaval, com a mocidade tocando aqui do lado, me arrisquei a prever o futuro da música, talvez o meu também, e aqui perdoem-me, esse blog é pessoal. aqui vai a previsão: 1 - depois do fim do grandaddy, a última banda popular-obscura definitiva do ponto de vista estético; depois da pitchfork ganhar um quadro na ABC e do modelo indie-kid-peterpan brooklyn/chicago/l.a, por vias transversais e contraditórias, passar formalmente a definir o que é e o que não é no novo mercado que se forma; depois da publicidade brasileira ter adotado basicamente o broken social scene como molde musical, o próximo passo será um prêmio: tipo oscar-grammy-vmb. aguarde 2010. 2 - esse estado perdurará até o fim de 2011, quando de fato o relativamente pouco dinheiro que circula nesse novo mercado parar de circular como circula hoje - que é o suficiente para que músicos e agentes paguem o aluguel no brooklyn e comprem videogame. é claro que os já importantes/ grandes vão se safar e continuar na boca, mas o pequeno e o médio novo hype da fader já estarão fora da conta. embora o brasil continue a pagar bem e os festivais véios do terceiro-mundo civilizado (brasil, chile) continuem a existir. 3 - 2009 não será exatamente um grande ano para a música, talvez porque esteja realmente difícil significar algo depois de 4 anos de avalanches fantásticas *. em termos de indústria, deve ser tudo muito bom. 4 - * haverá exceções, gente tocando lo-fi improvavelmente, gente levando até, não sem liberdade e não sem apoio dos que não gostam de liberdade, os horizontes do pop a uma nova idéia de perfeição formal (animal collective, fazendo o pop de fato não ter mais nenhuma separação com a música eletrônica, deixando soar irremediavelmente bobos os fundamentalistas de qualquer lado; grizzly bear, dignificando e trazendo à tona o pop progressivo e o soft rock elegante que foi esquecido e pisado justamente pelos garotos indiepunks universitários americanos que inventaram isso tudo que tá vigente aí em 1980 mais ou menos). 5 - música como forma de arte vai sempre perdurar, assim como comercialização, no caso dessa as máscaras vão passando de personagem pra personagem, mas sempre serão as mesmas, mudando um pouco a dança, o sapato e o corpo bailante. a crise, com otimismo, vai facilitar bem o lado dessa primeira aí, a música, e vai cagar tudo pra turma da comercialização um certo tempo - enquanto que neste momento de auge da reverberação de um momento sem crise e com relativa liberdade geral, arte e comercialização se equivalham, se alimentem, se degladiem (domino, uma empresa com cast ótimo e princípios administrativos senis, assessorando o animal collective, por exemplo, e etc). 6 - selos não vão mais existir como protagonistas da produção a partir deste 2011 + ou -, quando cada banda, nova pelo menos, deverá ser seu próprio selo, ou organizará uma estrutura similar a um, que por sua vez simplesmente não precisará mais existir porque agenciamento de shows, produção de material é relativamente fácil e o sentido de um selo como guarda-chuva estético e simbólico vai entrar em colapso junto com a (dinamização da) estrutura financeira após o impacto da reforma econômica. 7 - internet nunca terá servido tanto ao que se já imaginou quanto a partir de 2012, que é ser como carro num mundo rodoviário pós-apocalíptico (mad max). será muito fácil para cada um achar seus próprios circuitos, sua própria briga, seu combustível até. vai ter show MESMO, holográfico (som inclusive), de dentro do meu prédio. o mercado de música séria, que é médio-pequeno, será pequeno-mínimo, e passará por um primeiro e de fato inédito momento de altíssima tecnologia aliada a uma altíssima liberdade, proveniente do fato de haver um espaço grande não arrendado e não influenciado por um mecanismo industrial. a pitchfork não será influente do ponto de vista artístico, ninguém com add's será *. uma coisa que será mesmo influente é a rede de amigos da banda x, e aí isso um dia vai ser até um novo um "selo", cíclico que é esse mundão. 8 - * até que, claro, um novo modelo vai emergir e a indústria se reinventará, usará a seu favor a recuperação econômica, o fato do não-apocalipse gerado pelo fim do irã como estado folgado (hilary), pelo fim do paquistão como estado autônomo, por obama não ser a profecia; e usará, com grande justiça, claro, o estado tecnológico que nos 5 anos anteriores teria beneficiado tanto as novas referências livres na estrada a se tornar as novas referências (artísticas). quem serão as lendas em 2017? 9 - ou seja, não importa, através do rastro de liberdade deles, uma nova indústria se firmará - sempre com uma postura inicial de revolução francesa, e depois, e bem mais rápido do que é hoje, sem capacidade pra pagar a conta. embora em 2020 eu não consiga ver um mundo com contas como elas são hoje. tudo volta ao normal any-way. 10 - paralelamente e menos afetados economicamente, IPs brasileiros vão continuar a fazer grandes discos (como já é em 2008, 2009), mas ou vão ter que se unir aos mad maxes de 2012, e se tratar de fato como IPs para o mundo, e não como "componentes da cena", ou então vão continuar conseguindo ser, no máximo, o próximo look da MTV, ou a aposta do sesc pompéia - coisa que não dá nem status, nem dignificação da obra nem dinheiro, e continuar a se iludir com tocar pro zé chulé com camisa do nirvana no centro-oeste, ou pro modernete antenadinho do recife ou até o blasé maria vai com as outras em são paulo talvez crendo que isso vai mudar a vida das pessoas - quando na verdade a que pode mudar é a do próprio artista - o que não é nada pouco a bem a da verdade, é só uma questão de compreensão e expectativa. mas de um modo geral, o pacote, se o camarada faz e pensa arte com energia quase total, é pouco (quem quiser ser grande vai ser, mas isso, aqui, nunca mais vai combinar com arte, eu sei, você sabe). daí que o lance é, chegando no rídiculo mas nobre significado da batida palavra, independência. e um carro bem turbinado, porque daqui a pouco a estrada vai ser grande e estar sob céu de brigadeiro e árida - ótima combinação, e aqui voltamos ao grandaddy.
11 - 2009, como já não é previsão, é o ano da áfrica, embora o continente em si esteja quase acabando, do ponto de vista antropológico. creio que o ano do brasil começa em 2012, e perdura. a dance music anos 90 volta em 2015. o folk volta a ser embrutecido também. acho que ao mesmo tempo vai te um monte de gente fazendo música com novos instrumentos, processamentos, e isso vai parecer inpedito.
Escrito por claudio às 03h11
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