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uruguai
a sina da música deve ser essa mesmo, sempre ser redefinida, ou ter sua sobrevida redefinida, por heróis paralelos, os que correm em paralelo. por sua vez, a sina dos heróis paralelos - quem são eles? ora, robert wyatt, scott walker, david axelrod, todd rundgren, lou reed, tim e jeff buckley e mesmo burt bacharach e brian wilson - será sempre ter de abandonar, em algum momento de epifania coletiva, esse delicioso e masô estar fresquinho e limbosão que é o paralelismo. isso pode estar um pouco velho, porque desde a destruição, em 2001, das bases da máquina industrial (não de seu espírito), não precisamos tanto mais dos mitos em paralelo. pior: como definir hoje em dia quem está em paralelo e quem não está?
em todo caso, para o que está antes, lei magna, vale jurisprudência. daí a acreditar que acertos de conta podem existir desde já. mas quem sobrou então, do mundo paralelo e passado, para redefinir os sons que virão? se grandes discos realizados ao longo de uma década inteira, uma música absoutamente atemporal (em 1970 soava como se em qualquer ano dos 2000) e magnética, com melodias livres para letras de um idioma próprio, cujo vocabulário foi manancial para fãs mais perplexos extrairem uma palavra, "zeuhl" (que significa "celestial" nessa língua particular), que definiria finalmente, e simplesmente, o gênero desse conjunto e autor. se tudo isso não for bom e bizarro o suficiente, eu não sei o que é para que vander passe a influenciar. tem um pouco de ironia aqui, claro, porque tô na verdade cagando se o magma e christian vander serão descobertos um dia pelas novas imaginações e agregações.
em todo caso, quem lê esse espaço, pode descobrir. atentem para agressividade fina desses extratos de "KA".
http://www.myspace.com/magmaofficial
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o cinema tá 50 anos na frente da música, não em estética, mas em crítica (e auto-crítica).
a música tá 50 anos na frente do cinema, não em crítica, mas em indústria.
ironia:
em relação ao cinema, uma indústria pequena e ágil não serviria: não teríamos a oportunidade, por exemplo, de vivenciar, de dois em dois em anos, michael mann e shyamalan debulhando a fortuna de mecenas e de imbecis para fazer grande arte, arte de ponta; além do mais, o cinema, como indústria in natura, parte de uma premissa do suporte: não adianta fazer filme que não seja para a mídia onipresente, a sala de cinema. vai ver jia zhang-ke no youtube.
em relação à música, pop no caso, que pode ser feita pra pista do berlin (hurtmold), pra headphones ou pra piscinas, o elevamento crítico (e auto-crítico), bem como o aumento da importância disso, acabaria causando talvez a extinção do legado anárquico da internet dentro desse meio inquieto, jovem e dinâmico por natureza. apagaria o grande benefício que ganhamos com a destruição da máquina: o livre arbítrio intacto e a possibilidade de escolher o que quisermos. entre tantas formas sublimes e tanta idiotice - quase nunca aprofundados, ambos, como se deveria.
em todo caso, tem quem faça crítica elevada, e eu vou atrás sempre desses, e tenho esse segredo dentro de mim que é vivenciar um ambiente cahiers 62' na música.
em todo caso 2, elejo ambos, assim como o videogame, e a própria apropriação do cinema para a TV, as formas soberanas de arte deste tempo. por dizerem mais e melhor sobre ele (os grandes escritores são sempre/ tão velhos).
Escrito por claudio às 02h31
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