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daddy kev
the natural history
não é muito a do público deste blog, então para quem não sabe o que se tornou o hip hop ao longo dos anos, um bom exemplo está aqui (clique no amarelo).

há quem diga que quem curte essas "frescuras" curte para esconder um preconceito original em relação ao "gueto", podendo assim posar e dizer que "hip hop é legal, né, mas gosto mesmo é do lado 'fino' (e menos negro) do hip hop". bobagem violenta esse discurso, de quem cultiva, sem saber, exatamente esse suposto preconceito.
esses, que acham que a patente da honestidade está em curtir a utopia "ideal" do gueto, não sabem que o hip hop, lá atrás, no próprio gueto, já começou como estilo da ilusão, da modernidade e da mestiçagem. por, instrumental, se tratar de colagens em cima de colagens de coisas das mais diversas magias e procedências.
com madlib, a tribe called quest ou pete rock, e isso é meados da década de 90 para cá, ele, nas mãos e práticas desses e de outros caras bonzões, evoluiu e virou, de fato, jazz. ou seja, cumpriu seu sofisticado e não-declarado projeto de origem: desconhecer, ou estraçalhar, limites. contudo, com um leque de procedimentos e uma vocação para a maleabilidade sonora que o jazz, como formato simplesmente, não possui.
hoje, o hip hop, em termos de "quem faz", é música de negro, é música de branco e é basicamente (em termos de "o que representa") música da história (da arte, do mundo) - pela sofisticação animal que atingiu na mistura de sons e estilos. como prova nosso destacado da semana, um produtor (e dj) de los angeles no qual não apenas eu boto a maior fé.
daddy kev compõe e dispara trabalhos para a residência no clube low end theory e para MCs fudidos da nova safra. mixa e mascara um monte de informações, vanguardas, psicodelias, criando, como outros de sua geração, sentidos sonoros que asfixiam, encantam na mesma medida. tratando a música como o que é ela realmente, em estado bruto e nobre: um mistério.
a propósito, um beabá é o seguinte: produtor é o cara que, na alquimia dos equipamentos, e em casa ou em estúdio, transforma sons em música para que o MC desfile suas liras, poesias, raps. o dj é mais ou menos isso, mas faz isso em duas, três pick ups, live.
tanque (clique), o sexto, está massa, e provocante, eu diria, com um time de melodistas fudidão. e incontestável.
o próximo episódio já vem.
http://www.myspace.com/daddykev
Escrito por claudio às 22h03
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