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bethlehemufo
nascem os fantasmas
o novíssimo mundo, esse que se dá no infinito eletrônico da internet e da informática em geral, nos deu algumas dádivas. entre as maiores, talvez a maior artisticamente falando, foi a possibilidade de "convivermos" com personas como esse max go, aka bethlehemufo (clique no amarelo), descendente de chineses americano. não sei o que ele faz direito, fora a música, mas sei que ele é tipo como eu, como você.
desde o momento em que nêgo pôde desabrochar o talento a partir de novas condições de realização, produção, edição e propagação de sua arte, a música jovem pôde, sem limites portanto, encontrar a música e a arte de vanguarda, isso naturalmente.
esse novo círculo, que tem como tios e padrinhos o animal collective e ariel pink, nasceu da afirmação geral de um ritual naturalista (faço em casa exatamente o que eu quiser e mostro a partir de casa), transformando a música nesse próprio ritual: o que importa é descrever, lirica e sonoramente, minhas viagens e minhas experiências mais íntimas no mundo, amplificadas pelo fato de eu estar usando como ferramenta, sozinho ou com amigos próximos, exatamente tudo o que me cerca mais rotineiramente (tela, mouse, paredes, a própria net). mais ou menos assim, sem limite, rola o talento do carinha comum em plena existência e extrapolação.
ainda instalada nos pequenos círculos, virtuais ou não, ela, essa música, e isso é o que importa, existe para pelo menos quem quiser que ela exista, sem obstáculos. é só procurar.
o bethlehemufo, em sua caverna, é mais um bicho dessa espécie misteriosa, que faz do mistério das origens e destinos de sua escrita musical o principal encanto do que ouvimos, por exemplo, no recentíssimo disco ukempter, que eu ainda não escutei inteiro.
as cordas folk de violões e banjos cortam como o mais rigoroso inverno em 'velvet curtains' e na impressionante 'ongoing underneath', que aparenta ter sido escrita para um faroeste macabro no canadá. mas parecem mais coisas também, indecifráveis.

depois você é fechado na curva por vocais e guitarras que lembram os experimentalismos do brooklyniano flying, filho desse mesmo estado catártico de liberdade-refinada-em-seu-próprio-quintal que virou a música indie americana de ponta nesses 2008. fica difícil imaginar como um tema como este, que por acaso é certeiramente batizado de ‘ghosts we are’, nasce, mas ele nasceu. os sinuosos sopros e camadas de supercoisas que surgem com a função de nos assustar, conseguem. puro ilusionismo, pura fantasmagoria. aliás, como nasce um fantasma? esqueço sempre de dar o crédito a jim o'rourke, do wilco e do sonic youth, o pai do fantasma, quando começo a discorrer sobre o presente avant-garde da música americana.
esses caras, como o bethlehemufo, são todos fantasmas elaborando o que há de invisível, ainda, na música pop. e falando de seus próprios fantasmas nas músicas. são fantasmas reais de seus próprios quartos, e isso me interessa.
tente achar o disco que citei, deve valer a pena. semana que vem continuo a empreitada de andar por esse mundo novo, por essa rota do naturalismo fantasma e por essa visão da possibilidade de qualquer gênio poder existir como tal e em sua amplitude... humana.
http://www.myspace.com/bethlehemufo
Escrito por claudio às 16h49
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