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plants and animals
kate, we have to go back
não acho que o blog se legitima com e pelas bandas que, depois de publicadas aqui, conseguem chegar efetivamente a algum lugar. não se legitima pela minha capacidade de prever que uma banda cruzará a fronteira underground, será descoberta por muita gente. o lance do blog pra mim é a capacidade de ser simples documento de época, que poderá ser um dia um bom esclarecimento "arqueológico" de um tempo que é só o melhor tempo da música pop. não importa se o artista X vai virar um radiohead. não ganho o jogo com isso, necessariamente.
mas, quando vejo a perspectiva de acontecer, não fico triste não.
um dos primeiros posts nesse espaço foi sobre essa banda de montreal aqui (clique no amarelo), e é por isso que hoje temos uma postagem especial.
na época, eu "reclamei" com o trio que, em uma música maravilhosa, chamada à l’oreé des bois, com uma atmosfera crescente de sons acústicos e steel guitar que eu nunca vi na vida, nem com os byrds, eles faziam pouco dos "soccer fans de montreal" (???). eles responderam que, na cidade mais "emigrada" do canadá, havia uns perdidos, durante a copa de 2006, "atrapalhando" a gravação ou concepção da música, gritando pacas pelas ruas. depois eles me mandaram essa música para que eu tocasse numa discotecagem do milo, foi em dezembro de 2006. daí eles fizeram a rapa nos meus amigos brazucas do space, acharam legal ter ouvintes brasileiros. nessa época mesmo, a banda, uma coisa ainda bem provinciana (se é que dá pra chamar algo de montreal de provinciano) e restrita à cidade, não se descolava da minha vida.
eis que rolou um ep em 2007, do qual falei na minha retrospectiva, festivais, locais e não, entre eles um na islândia, com o grizzly bear, novas músicas e... finalmente, o disco, parc avenue, terça (dia 26). que é o segundo da carreira do plants and animals, mas é como se fosse o primeiro, já que o primeirão, de 2003, é um compêndio de exercícios post-rock sem o melhor rumo, pra ser elegante. parc avenue faz menção a uma via notória, freqüentada por jovens da efervescente montreal, lotada de jovens com fome de arte.
bom, penso que a banda recomeçou em 2006, e, na revisão histórica sobre a riquíssima, plural e ensandecida produção musical da década de 2000, o plants and animals vai cavar papel comandante. vai ser reconhecida como a banda que efetivamente levou o country rock americano a seus limites mais aventureiros e modernos dentro de um tradicionalismo do qual, convenhamos, esse estilo, com um pé no partido republicano e outro nas primeiras tendas hippies, não pode se emancipar.
o trio é mesmo como se os seminais byrds ou flying burrito brothers tivessem sido ungidos sob impacto da presença de um animal collective, de um tv on the radio e de um wilco em sua geração, preparando e envenenando o terreno coletivo.
o cuidado transcendente no manuseio do velho steel guitar (à l'oree), as toadas de violão mascando, em meio a cavalos, sentimentos em campo aberto, mas envoltos em operações avançadas de estúdios fechados (early in the morning); os violinos que mutam, como ilusionismo, de música avant explosiva (em farie dance) para o puro country de roda do século retrasado (em sea shanty); a energia de canções caipiras hippongas que nascem e renascem várias vezes, cada vez com banjos mais rudes mas cada vez mais próximas da dimensão sonora celestial que esses artistas/ pilares da geração, que eu citei acima, legaram (bye bye bye e mercy); ou keep it real, que consegue colocar no mesmo bonde o king crimson, as bandas do coletivo caipira psicodélico elephant 6, como olivia tremor control, e o grande sufjan stevens.
sem falar no fato de que tocam como barbudões do texas, mas pensam como estudantes de arte brilhantes e fresquinhos do brooklyn. essas paradas... essas “contradições”, ou melhor, complementações, identificam e provam o plants and animals como donos definitivos da ponte entre o que há de mais antigo e de mais estimulante vírgula renovante nesse estranho organismo que se pode chamar "música americana tradicional". o iron and wine e o band of horses, qualquer um desses, por melhores que sejam, e me perdoem os fãs mais calorosos, vão ter noites de xixi na cama quando escutarem esse foguete-charrete chamado "parc avenue", coisa que só dá pra definir como post-country.
se não é necessária essa lavagem conceitual dos meus parágrafos anteriores, basta dizer (fora a capa obra-prima, lá em cima) que o álbum é de uma consciência estética digna dos maiores de todos, as músicas são construídas de uma forma invejável, minuciosa, a narrativa do disco, canção à canção, também, e mesmo assim cada uma oferece uma beleza particular que mereceria ser digerida e amada exclusivamente por dias e dias a fio.
os plants me fazem pensar também sobre nossas anacrônicas novas ondas pobrinhas. bastou mallu magalhaçes ser inventada_como gatinha do folk aos 15 e discípula da palavra-chave johnny cash (poderia ser bob dylan também, como no caso do vanguart, que, no mais, confesso, é outra história)_ para que fosse inventado também o maior case indie BR de que se tem notícia. o que ela faz com o fato johnny cash, ou o fato country americano, não importa muito, mas que ela faz alguma coisa, faz.
enquanto premiarmos as nossas projeções de um mundo perfeito (o exótico prodígio "culto", o presidente "sindicalista" bom-selvagem), arquitetando a realidade com elas, e não premiarmos os atos em si, no caso musicais (um plants and animals por exemplo), nos fudemos como projeto de lugar_ exatamente como a série nova fudidona da maria adelaide amaral, com clube da esquina no talo, vem repetindo nesses dias, via tomadas e diálogos de lucidez cortante.
de qualquer forma, acho muito provável que os plants (warren, matt e nic) sejam bem premiados nesse ano, pelo menos lá fora, com menções e deleite que vão começar a ser estampados na semana que vem nos sites alt por aí - leia já, aliás, essa ótima matéria. datas de turnê já são várias, como o space acusa, festival de austin, lançamento triunfante na sala rossa, que o barba conhece bem...
você ainda não vai, acredito, encontrar o parc avenue pra baixar por aí nos p2ps, mas vai tentando, acho que a partir da semana que vem o volume de opções aumenta. no entanto, ATENÇÃO: dá pra ouvir TODO o álbum, por streaming de 96 kbps, no myspace, se liga.
tanque, o podcast, o programa 3, com entrevista por fone com um membro original e seleção especial com uma das minhas bandas favoritas, os zombies, está no ar. pode salvar já.
nota/ pergunta do editor, colocada na quarta: como a pitchfork conseguiu ignorar o parc avenue até agora? o inegavelmente belo site indie, o mais lido no mundo, já comeu 2 dias de bola que não dá pra relevar.
www.tanque.mypodcast.com
se quiser escrever mas não comentar: descobrindobandas@uol.com.br
http://www.myspace.com/plantsandanimals
Escrito por claudio às 03h46
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all my friends
reunião psicodélica

o all my friends (clique no amarelo) é um abre-alas para a delícia que vai ser o próximo podcast tanque, basicamente (isso pelo menos na minha tentativa) uma surpresa com o gosto de 40 anos guardada no fundo de uma cristaleira. é um abre-alas porque, com seus tons de baladas de playground colorido, os meninos de glasgow anunciam e encarnam, em parte, o astral e o tema do próximo, e terceiro, programa. uma dica sobre ele: não pense em all my friends, mas em friends of mine.
bom, não há muito o que dizer de uma banda escocesa (ou seja, cercada por florestas e escapismos naturalmente) influenciada pela onda psicodélica do mid/late 60's, que tem tudo a ver com esses escapismos e foi surfada por gente como beach boys, free design, phil spector, carpenters e zombies: a dupla formada pelo casal gar e alison, um pouco como os conterrâneos belle & sebastien, é experimental, portanto "estranha", e (fragilmente) feliz.
ou, por outra, extrai significado musical para a felicidade a partir de uma conduta sonora aberta, gregária. de relativo experimentalismo e estranhamento. relativo porque, é verdade, há, em 2008, um receituário consagrado, e hoje já tradicionalíssimo, para essas texturas, ecos, melodias e la-la-lás encantados que a banda se empenha a construir.
mas isso não atrapalha. é tudo de fato muito pacificamente acolhedor e exuberante, daí o clima de reunião quietinha, íntima, mas grandiosa, em um sábado, entre todos os seus amigos_ mesmo que seja um só. um clima que se realiza nas músicas. basta ver a lindaça think of rain. o mais novo disco, de 2007, é o pop evangelism. não ouvi, mas recomendo.
o tanque 2 tá lá e foi basicamente sobre o piano e as melodias mais legais que você pôde, poderia ou poderá ouvir nos melhores dials das FM's meio antiquadas, entre o quase brega e a perfeição pop. ficou legal.
www.tanque.mypodcast.com
se quiser escrever mas não comentar: descobrindobandas@uol.com.br
http://www.myspace.com/allmyfriendsmusic
Escrito por claudio às 13h23
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