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Descobrindo Bandas


orange can

lua negra

 

garimpando no myspace, na maioria das vezes, você se depara com músicas que te chamam a atenção, e te prometem ser sinais de algo maior_que pode estar acontecendo sem que você saiba ou que ainda vai acontecer. difícil é ocorrer de se deparar com um senhor SONZAÇO, que pode ser diagnosticado assim, na hora, sem que grandes critérios sejam colocados em prática.

 

é o caso (ou caos) do orange can (clique no amarelo), banda (um duo familiar) nativa de londres, lugar que mostra ser, de certa forma, tão bizarro quanto alguns pontos do interior do reino, ao abrigar manifestações tão particulares e diferentes do que rege em geral o rolo midiático musical/ circence inglês. o orange can é um desses objetos espaciais não identificados, e quando falo nesses termos o faço quase ao pé da letra.

 

imagine uma planície rural na lua, colonizada e administrada por uma comunidade pós-africana que faz da música proibida sua atividade principal. esse é o lugar de banditismo artístico em que os irmãos doidões jason e james aslett devem morar.

 

o devido contrabando de sopros, percussão e baixo posicionados entre o funk americano e o do ícone endiabrado nigeriano fela kuti, discotéque, camadas e camadas de cordas elétricas e lisérgicas tarja preta e voz roots inconfundivelmente britânica fazem do orange can, além da força sonora que é, um estranho elo perdido. entre exatamente o underground mais malandrão e morto-vivo dos anos 70 (falo de quem? dos space rockers taleban do hawkwind, do paizão can e do próprio soul-funk africano) e o... sei lá, o super furry animals.

 

o pedrão fudido está, com o belo vampire weekend (muito menos “afro indie” do que tiny toons do animal collective aliás), impresso e na moda de novo. bom, alguém vai poder falar em peter gabriel também ao escutar o orange can (continua).

 

 

esse tipo de fenômeno, o orange can, representa sobretudo uma positiva alienação_ longe de ser passadista pois acima de tudo é experimental e aventureira na intenção_ de jovens certos em relação à cena geral inglesa, formada em 80 % por plástico travestido de atitude cool roqueira rereciclada. por febres curtas de mesmice e adolescentismo. nesta época do disco, em formato virtual ou físico foda-se, mais do que nunca como artigo de importância e separação do joio do trigo no pop (leia o artigo brilhante), são pouquíssimas por lá que oferecem álbuns consistentes.

 

e esse é o diferencial exato do orange can. 'exit chasing' é a bolacha, lançada em junho 2007, que estou ouvindo agora e que, neste momento, me inclina àquela obsessiva e meio boba sensação de tempo perdido: nossa, por que não ouvi isso aqui oito meses atrás? é o terceiro ou quarto de catálogo dos irmãos, que já passaram por inúmeras idas e vindas. vai na fé, é pura viagem, viabilizada por várias rotas de viagens de tantos gêneros se cruzando cosmicamente.

 

tanque, o podcast, pisando em solo amigo, vai ganhar novo programa (o segundo) nessa semana (não prometo segunda-feira, mas o desejo é esse mesmo), com orange can sim e todo o pavilhão cujo soldado da frente é o jovenzinho dion read, que ainda voto para ser o sweetheart que faria muito bem às canções do hype mallu magalhães. fui aliás conferir a engraçadinha menina no show do milo garage. e digo que a música, o que importa ao cabo, só não é pior do que a manifestação arrebatadora de empatia carismática em curso lá, que, tendo origem no fato da protagonista ser indiscutivelmente a melhor releitura indie de todos os tempos para um número infantil do programa do raul gil, me fez tremer. para/ por onde queremos ir mesmo? 

 

porque ser auto-enganado pelo miraculoso do fato de ter 15 anos é doença, ainda mais a menina não apresentando por enquanto talento, como artista de música, efetivamente nenhum. ela tem mesmo, fora o carisma-gil, habilidade para imitar johnny cash e sintetizar, como enésimo exemplo, o lado raquítico bonitinho do indie rock. jura que isso tá valendo mesmo, pra rascunhar um business? que merda de business, prefiro os pholias. voltando ao tanque, entrando em mais detalhes, dion mascoteia time de melosos ou melodiosos do piano (predominantemente), em seleção que quer brigar feio com as melhores da história das FMs de tio e as melhores trilhas dos filmes do cameron crowe. 

 

www.tanque.mypodcast.com

 

se quiser escrever mas não comentar: descobrindobandas@uol.com.br 

 

www.myspace.com/orangecanuk



Escrito por claudio às 17h01
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