dion read
manda o link dele pra ela
a melhor música pop que se pode fazer com 23, 24 anos, já me disseram, é assim: já bem longe dos ritos infantis da adolescência, mas suficientemente fugaz e ancorada nos privilégios de espírito que essa faixa etária proporciona. ela é rubber soul, dos beatles.
a melhor com 18, 19 é: plenamente sensível, precoce, esperta e precisamente permeável a amores e à rotina no colégio, mas bastante protegida das cascas que vão dando forma à maturidade. ela é o que dion read (clique no amarelo) faz.
pra ficar na esperteza e na sensibilidade: o compositor de melbourne, austrália, é espirituoso, e não é à toa que sabe auto-refletir o fato de ser um teen idol underground: ou seja, um teen idol que ninguém conhece. que orbita pela rede, para pessoas como eu, em um tempo de livre agenda estética_ em que propriedade musical e pertencimento a uma linhagem pop podem muito bem se fundir com uma referência midiática colegial fútil, que vira imagem mas não é exatamente consumada (continua).

essa auto-reflexão batuta fica clara no space. basta ver seu about me, algo como o primeiro capítulo do release biográfico de justin timberlake ou britney com o nome dion read no lugar dos nomes de um ou de outro.
eu ainda não ouvi o case/falsa polêmica mallu magalhães e aprendi nesses dias que nasci, ora vejam, sem o gene da paciência para discutir o assunto. mas mesmo assim sei quem deveria ser o namoradinho dela: dion read. o pianista, arranjador e compositor um pouco mais velho (mallu, 15) tem o perfil exato do arquiteto que projeta o espaço, a passarela de sons, para a estrela brilhar. um ike turner (ex-marido da tina) com a vantagem de não levar a mínima pinta de dar uns tabefes.
de ike, o menino tem mesmo a característica mais importante: parece saber muito bem, a toda hora, o que faz.
da escola pianística deliciosa de ben folds, billy joel e elton john, dion toca o instrumento alto e bem, e compõe alto e bem, deixando as teclas protagonizarem violentamente e conduzirem melodias firmes. que vão se ambientando, com mais personalidade do que se possa imaginar, precocemente, já em um mundo musical adulto_ apesar das temáticas realmente 18 anos.
a psicodelia dos zombies também o acompanha, e o mundo madeira, preto e branco ganha, de cores psicodélicas, a alegria que deve ser possuir tanta jovialidade e autoralidade ao mesmo tempo.
read ainda não fez o rubber soul, mas seu epzinho saindo do forno, shoes and gloves, carrega uma sabedoria que nos permite interagir em uma tela pueril, terna e ao mesmo tempo bastante verídica de emoções jovens "completas". que parecem flagradas justamente no querer saltar de uma idade para outra.
o menino foi uma grande descoberta no ano passado, que eu deixei no fundo da minha mochila. outro dia ele veio com o ep mixado, que incluía esses quatro sons do myspace, e foi quando eu passei a vê-lo como um menino espetacularmente gigante, que deve destruir, ao lado de seus fiéis afterthoughts (ótimo nome pra banda de apoio...), casebres por aí em breve.
vai, desse jeito, fazer concorrência ao tanque, o podcast novinho que acabei de lançar. e que está em missão por aí, nos desertos férteis da música em 2008. sons novíssimos de responsa, entrevista com chris taylor e mais rolam na primeira edição. dion reid e uma tropa brutal de grandes melodistas vão fazer o segundo tanque semana que vem, pode esperar.
www.tanque.mypodcast.com
se quiser escrever mas não comentar: descobrindobandas@uol.com.br
http://www.myspace.com/dionread
Escrito por claudio às 17h37
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