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bob parins
brooklyn tradiça
bob parins (clique sempre no amarelo) é um desses caras que ficam meio à margem da jovem cobertura indie impressa americana. hipóteses? são caras, como ele, que parecem mais velhos do que são, e para o bem e para o mal, o que os jornalistas desse ramo perseguem, mesmo nos EUA, é uma idéia soberana de rejuvenescimento.
como o gênio dan wallace, ou mesmo como jeff tweedy, que, em seus últimos discos, no wilco, teve bem menos apoio nativo do que merecia, bob parins não tem medo de oferecer roupagem nova para aquilo que é enxergado como cafona ou ultrapassado. e não tem medo, inclusive, de envolver essa roupagem em registro e timbres bastante tradicionais, apesar de vigorosos.
o engraçado é que parins vem do vanguardista brooklyn, NYC, e meio que representa o outro hemisfério do mesmo mundo que tem no mapa, do outro extremo, os núcleos vanguardistas e selvagens de flying, dirty projectors, grizzly bear e etc.
o que acontece é que parins não deixa de ser uma vanguarda lá também, redefinindo, com tanta propriedade e fome, os traços da psicodelia radiofônica (por ter vocação, não por ter tocado na rádio) dos zombies e dos beatles; ou dialogando, dotado da mesma propriedade, com a geração do powerpop noventista americano classudo, de gladhands (uma das mais perfeitas bandas de rock a já ter tocado), sloan, oranger, wondermints, turma de talento cujo tamanho, com seus super pa-pa-pás, não foi visto nem na geração sessentista, e consagrada, desse mesmo estilo.

o brooklyn encantado e desconectado do mundo, desenhando dentro de seus próprios limites um novo nível de realidade musical, uma nova proposta de mundo-arte, é de fato do grizzly bear e do flying. são os que sobreviverão a tudo, e a história vai consagra-los assim. mas o mesmo brooklyn abriga, e é bom sabermos, também, uma das frentes tradicionalistas-pra-caralho mais interessantes e estimulantes de sua época.
em 2006, o ano da música em amplos sentidos, bob lançou um disco belo chamado the kissing rocks, cheio de suingues melodiosos, palminhas e tecladões e guitarronas de FM que você pode conferir na página do myspace também, e esperemos pelas próximas bordoadas pop cheias de capricho.
e, para os que vêm acompanhando o blog, a novidade é o podcast tanque (leia mais aqui). inaugurado agora, hoje, daqui a pouco. tem bob parins no primeiro programa, claro, que tentará lançar sonda sobre o brooklyn, centro nervoso do que melhor a música jovem pensa e produz nesta década. entrevistei chris taylor, arranjador e baixista do grizzly bear, e essa é apenas uma das atrações. ham.
vem : www.tanque.mypodcast.com
http://www.myspace.com/bobparinsmusic
Escrito por claudio às 20h58
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