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flying
casa mágica gigante

uma das minhas culpas recentes, uma das maiores, é ter deixado passar em branco um disco chamado 'just second ago broken eggshell' em 2006, o ano da música.
banda que assina é o flying (clique sempre no amarelo), pasmém, do conjunto de bairrinhos e prédios, a maioria de antiga arquitetura européia, 6 vezes o tamanho de perdizes, conhecido como brooklyn, em nova york, de onde algumas das atitudes musicais mais corajosas e contundentes do nosso tempo estão sendo projetadas para o mundo. basta ficar em tv on the radio, grizzly bear e dirty projectors (talvez a bola de ouro desse ano), para exemplificar.
o flying faz um folk mágico, sampleando momentos que parecem filmes das próprias mentes e memórias dos integrantes. instrumentos, vozes e espectros das épocas e origens mais maneiras são tentados a invadir melodias muito, muito bem concebidas, como se esse fosse o último disco a ser feito antes do apocalipse. destaque para eliot e sara, integrantes que, tocando e cantando, fazem contrapontos lindos e nos fazem imaginar alguns retratos bem loucos.
retratos-filmes... negativos que mostram, exemplo, a casa mágica da música, no meio da floresta que fica dentro da praia. esses dois namorados, joão e maria, entram e se deparam com instrumentos mágicos que são o dobro de sua altura. eles entram na casa e começam a sua jornada de exploração, com sapatinhos dourados, por cada cômodo gigante - a cama, de 5 metros, serve de decoração para o quarto que abriga o cravo cujo banquinho comporta joão e maria, ambos em pé nele. eles se acomodam lá e tiram sons mágicos até dormir. e transar. essa é a pequena orquestra do flying.

2006 e 2007, entre outras coisas, foram os anos do retorno lírico total à delicadeza, que não pode ser confundida com simples bicho-grilismo (apesar da foto da galera aí), bandeira publicada por quem é picareta e por quem não é. foram anos da definição desse folk, mais que telúrico, onírico. de lugares estufa, entorpecidos mais de magia do que de química, dentro de cidades enormes e modernas como nova york e melbourne, no caso do kes, que fez o disco irmão dessa obra do flying. da felicidade e de cheiros novos. quer referências? ok, olivia tremor control, tudo da elephant 6, steely dan (majestade pop nova-iorquina nos anos 70), selvageria animal collectiviana, velvet, tudo numa cápsula que, quando explode, desfigura seus componentes originais e grava a imagem suprema que não tem mais a rivalidade de outras e concerne a essa banda: a imagem de uma casa mágica, ou de um fim-de-semana mágico.
2006, aliás, um ano de fato insuperável, se torna mais agora. como gosto dessas coisas, encaixaria o 'just second ago broken eggshell', que descobri tardiamente apenas depois de garimpo no space, em terceiro lugar, logo depois de ‘yellow house’, do grizzly bear, e de ‘return to cookie mountain’, do tv on the radio. o que reafirma a não-coincidência que é o brooklyn, reduto com sua peculiar “política” coletivista e do aconchego, significar quase tudo na música atual.
e já deu tempo para novas viagens serem preparadas. espere para março, 'faces of the night' _amei o nome, talvez seja quando a delicadeza flyinguiana se encontre com frank sinatra ou coisa assim_, o novo disco do flying, que é, claro, desde já, uma das fortes apostas para 2008.
tanque, o podcast, semana que vem (endereço ainda não disponível), e já dei a pista: tema- brooklyn, claro com muito flying. aguardem, visitem e procurem.
http://www.myspace.com/flying
se quiser escrever mas não comentar: descobrindobandas@uol.com.br
Escrito por claudio às 23h41
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