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orwell/ the brigadier/ the junipers
luzes (ou dicas) de natal
dezembro chega, e com ele a atmosfera do natal, cujo melhor e mais notável elemento certamente são as luzes. não sei se gosto mais de luzes ou de música, mas certamente é possível ver (ouvir) uma coisa na outra. cada som é uma luminária diferente. justamente por isso que queria trazer, abrindo a temporada, três bandas que correspondem às luzes do mês, e portanto ao seu espírito musical. três bandas de natal.
todo mundo sabe que high llamas (clique sempre no cinza), as supremes, joão gilberto e os beach boys são as bandas oficiais do natal, e não é por acaso. se vem antes ou depois do consumismo, não importa, mas o mês também é o mês do amor. nascimento, transformação, por isso mesmo amor. mais do que as questões óticas e térmicas do inverno (europeu), quero acreditar, é esse... conceito amoroso (já romântico e romantismo é um a abolir) que determina o tempero de luzes, e obviamente, da música aconchegante e fraternal que domina essa atmosfera da época. amor aqui gera a música, que reflete a luz, que rereflete amor... bom, paul saberia explicar.
aqui o que tenho são (senhoras) bandas, ou luminárias, que seguem, com propriedade e com modas diferentes, os manuscritos pop natalinos amarelados desse clã da escrita melódica e barroca que se firmou a partir dos anos 60 e 70 (falo isso observando a exceção que é o high llamas, a continuação licenciada dos beach boys e da bossa-nova nos anos 90 e 00, além da própria alma por trás do stereolab).

o orwell (clique) é uma galera francesa que descobri no ano passado e que, embora tenha uma carreira local sólida, é zero conhecida overseas. seu estilo, pautado por arranjos de flauta mágicos e pedais fantasiosos, é o da canção perfeita. sim, eles têm a perfeição, junto com a tal classe parisiense, como caráter, e não como objetivo. confesso que gosto médio dos primeiros álbuns, mas em 2007 eles lançaram 'le génie humain', que é foda e pode alavancar os meninos para o bispado dessa igreja do papa brian wilson, sendo que até agora tinham se mostrado apenas audazes e esforçados padres da teologia pop-sofisticada que defendem. basta ver o space. 'i need an end' (cantam em dois idiomas).
também da europa vem esse rapaz, matt williams, sob o avatar the brigadier, que não por acaso está jogando para o mundo um ep nessa estação chamado '6 christmas tales'. galês que é, ele, além das referências pop-bonitas óbvias, ainda se contamina por uma deliciosa radiofonia setentista britânica bem típica em suas músicas (algo genesis circa 78, coisa que aliás mexe também com a galera orwelliana).
o sabor das composições é mais old fashion e natalino que o das do orwell. perdido em alguma onda de rádio na década de 70, matt parece surgir e ressurgir apenas para assombrar cada natal, com esses contos pop-urbanos suaves cheios de sininhos sobre, claro, amor. 'the berkeley square', 'the language of love' _essa com pegada mais nova-iorquina, tipo new york knicks 75_ para ir preparando a seia.

agora, natalino com N maiúsculo é o projeto liderado pelo jovem joe wiltshire, o the junipers. esse combo de violões, passarinhos, sanfonas e tecladões desregulados sim é a reencarnação, mais conservadora impossível, da psicodelia panetone de brian wilson, em perfeita sintonia e complementaridade com ecos beatlemaníacos. composições que poderiam tocar na noite do dia 24/12 ad nauseum é o que você vai encontrar. joe foi uma das minhas primeiras descobertas especiais no site, tenho suas demos lindas (álbum para 2008) e o surrealismo _à parte o de sua própria música rural-onírica_ está exatamente na lisonja de ser um top friend do rapaz. o show da foto foi feito perto do natal ou não?

ainda sobre o natal, notas gerais recentes sobre o amor:
*ontem, no inacreditável boston legal, james spader, vestido de alan shore, na clássica varanda, sempre filmada no final de cada episódio, foi visto dizendo assim:
"denny, estou preocupado com o amor de clarence"
ou seja, não existe aqui, nessa textualidade, forma de amar. o amor, em si, é um modus operandi, a própria entidade concreta de atuação (de discurso) sentimental (no caso, de clarence). o amor dele é o próprio jeito de amar, de lidar com amor. que precisão, né? a precisão reveladora, aplicada a um tema de posição "abstrata", "intangível" (duas das mentiras românticas, arghh, preferidas pela História), faz a frase parecer poesia. engraçado, assim, que toda poesia romântica formal sobre o tema que já li na vida pareça merda, manual de microondas.
"a dor vem sempre junto para ele", shore completa.
*a tv americana é como a música americana. ela é vanguarda mesmo sendo tradicional e aparentemente convencional_ já que de regina casé, populismo e marginalismo (querer ser ou projetar o que está à "margem"), em se tratando de realização e de visão para as coisas, eles não estão doentes. o "geral" lá é a própria margem, porque sabem mais de história, de arte e de contrução de nação. o máximo que alguém como michael moore conseguiu até agora foi um oscar (acabo de ver, por falar nisso, oscar niemeyer, autor de algumas das idéias e cidades mais sinistras do mundo, falando na TV, mas já voltei do banheiro, onde fui tentar vomitar).
*como shore e os roteiristas de boston legal, também reconduzindo o amor ao seus secretos horizontes concretos e precisos, é impressionante a coluna da luminária contardo calligaris nessa semana. aqui.
http://www.myspace.com/orwellfrenchband
http://www.myspace.com/brigadiermusic
http://www.myspace.com/thejunipers
Escrito por claudio às 00h15
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