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ghost to falco
qual é sua igreja?
achei que seria uma boa idéia impor a mim o desafio de, de alguma maneira, perpetuar o dirty projectors, banda que destaquei na semana passada, na cadência do blog. e por isso me pareceu interessante publicar essa pepita de portland, o ghost to falco (clique), banda de um estranho só (como é o dirty, aliás), esse jovem indie chamado eric crespo.
acho que, com ele, não dá para reeditar a fusão de rock matemático agridoce com música africana e psicodelia à clube da esquina que é a iniciativa de david longstreth, e que dá ao pop mais uma de suas plásticas capazes de fazê-lo nos surpreender como algo jovial e estimulante. mas se o legado da banda de longstreth tem a ver com invenção de caminhos e com a crença de que a engenharia de sons, timbres e melodias dentro de uma música é a própria liberdade, e a própria razão de compor, o ghost to falco tá super bem encaixado aqui.
eric representa bem a face coletivista e fraternal (tipo danielson, só que mais na manha) que marca a música jovem americana atual. dizem que foram mais ou menos 82 músicos-amigos na "seita" que esteve trabalhando na mina de sonoridades registrada no álbum 'like this forever'. são músicas, como 'the end', que, com o tempero carismático que marca a arte desses estranhos "reverendos" (no caso do danielson não caberiam as áspas), importam, meio de sacanagem, para o imaginário pop temas a um passo da narrativa de ficção científica e da religião. tipo nova era, fim dos tempos, o mundo está acabando, mas estamos aqui tocando.
as músicas, que traduzem muito esse caldeirão temático de "luzes" e "sombras" (tão engraçado e excêntrico quanto bonito), nascem campestres e intimistas, andam, anunciam explodir, explodem em catástrofes noise e, sob luz de brinquedinhos com teclas e sopros, renascem. tudo isso com uma notável entrega à influência da linguagem circular de grandes produtores e alquimistas de hip hop, como prefuse 73, e ao espírito da psicodelia descamisada e chapadaça de segunda hora, eternizada em 68, 69. 'the end', mais uma vez, e a belíssima 'transport' encarnam cada palavra escrita aqui
eu gosto pacas.
eric crespo tem viajado bastante, rodado a califórnia, tocado em lugares baratos na europa (frutificação clara do atual estado da web e do myspace), e isso é mais uma prova de que tudo de mais interessante na música está acontecendo exatamente agora, hoje. são intercâmbios de todas as espécies, real senso de liberdade e diluição dos limites - físicos e estéticos. um "começo dos tempos" que o ghost to falco exemplifica de forma singular.
http://www.myspace.com/ghosttofalco
Escrito por claudio às 03h46
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