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klabbes bank
os verdadeiros bárbaros
são paulo aguarda a terceira invasão sueca, que ocorre na terceira semana de setembro, mais uma vez (como foi a primeira edição, 11 meses atrás - cronologia esquisita) no studio sp. me dão um pouco de sono esses projetos que, embora interessantes e compráveis, mas desesperados para se afirmar e sobreviver, vestem-se de uma identidade e de uma embalagem de marketing que, pra quem é um pouco mais esperto, se revela no mínimo questionável. magina, "invasão sueca", como se, no rótulo ou nos conceitos de seleção, desse conta de traduzir a movimentação artística jovem que ocorre no país. claro que não dá. figurões como jens lekman pavimentaram, e agora bandinhas indie (afiadas e com algo a dizer, amar e cuspir) como love is all e (fofuchas e bobinhas como o) suburban kids with biblical names dão continuidade ao evento.
acho, não muito humildemente, que eles tinham que ter roubado do blog, na série sueca, que promovi e se estendeu entre fevereiro e março, algumas idéias para uma programação menos deslumbrada, e se eles quiserem realizar uma invasão de fato bem louca, minha sugestão é um convite imediato ao klabbes bank (clique), tema desta semana no blog, dando seqüência à minha série jazz, que volta aliás à escandinávia. o início foi com o norueguês in the country. (acabou a parte fanfarra do txt).

o que o jazz tem com a escandinávia? o jazz é um dado cultural plantado nesse solo frio e fértil, não sei quando, por quem ou exatamente aonde. o que sei é que se trata de uma espécie cruzada, com êxito e naturalidade "selvagem", com outras tradições populares e eruditas, nativas ou também por lá um dia adaptadas.
é incrível, não exatamente a quantidade, mas a qualidade de bandas de rostinhos indie (devem freqüentar os milos garages das cidades escandinavas) que importam e recriam com desenvoltura elementos jazz. basta ver o discaço 'private cinema', do slaraffenland, da dinamarca, bandinha ainda maciçamente jazzificada que descobri no myspace em 2006 e que me surpreendeu em 2007 com um trabalho maduro, na fronteira _que é exatamente a plenitude criativa_ entre várias linguagens, inclusive o pop, como se o sonic youth tivesse chamado o mingus como arranjador-assistente do jim o'rourke.
na verdade a pluralidade de manifestações nesse norte do mundo é interminável, e eu só posso explicar isso como conseqüência de civilização real, que é o verdadeiro legado desses vikings. falando só do klabbes bank, essa psicodelia toda inundando a tradição americana do jazz e da música em geral me faz muito bem. talvez seja 'gammal' que o brian wilson tenha procurado em seus desbravamentos na geografia sonora americana, e é 'gondolen' que dá mais uma prova da herança de milton nascimento para a evolução (mutação) da composição ocidental contemporânea.
essa conectividade entre tempos e entre formas é o que mais me assusta e me atrai na música. destruir tais fronteiras (de novo esse tema), proporcionando a conexão plena, talvez seja ofício vital desses bárbaros nórdicos, e eles ficam bem nesse papel. eu gostaria de sempre poder oferecer esse tipo de garimpo nobre, embora tão jovem, neste blog. mas nesse nível, do klabbes, são poucas vezes por ano.
coisa curiosa, na contramão da conectividade, é a total despreocupação desses caras paralelos com o mundo estrangeiro, vide site totalmente em sueco (pelo menos não descobri a chave que muda para o inglês). com dois discos gravados _um deles o sublime ‘kalsäter’_, eles não tão nem aí.
http://www.myspace.com/klabbesbank
Escrito por claudio às 20h00
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