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Descobrindo Bandas


in the country

we have to go back

 

o jazz é mesmo uma coisa muito séria. talvez porque ele seja provavelmente a própria música. e como tal, evolui (talvez menos apenas que o cinema) como arte do momento e do reflexo: dos dias, das cidades, da minha e da sua vida, dos nossos livros.

 

é por isso que o jazz puro cresceu para o próprio infinito, e aqui, num tempo em que ninguém é mesmo de ninguém e em que legados e idéias se fundem irremediavelmente, o gênero cresceu também para o território da maioria dos leitores desse blog: o pop.

 

inaugurando mini-série jazzista nesse blog, que deve continuar com outros grupos mais tradiça e não necessariamente antenados, como é o de hoje, com os desdobramentos mutantes que o gênero original sofre, está aqui o in the country (clique), da noruega.

 

 

doutor jack barbudão, um admirável escroto errante, daria um rolê de cinco noites com seu passe-vida-inteira da ocean pacific airlines sob a luz anestésica dessa can i come home. o tema do trio escandinavo vai para uma coisa meio propaganda de cigarros na segunda parte, mas se nele há algo realmente marcante é a bizarrice lírica e tribal com o piano, em poucas e devoradoras notas, na primeira parte.

 

torch fishing tem um lance neo-clássico na fachada, mas poderia muito bem ser um esboço instrumental de qualquer uma nova canção do wilco. e se resolve num fraseado de piano com baixo bem ao jazz contemporâneo, não deixando nada a dever para um jason moran da vida.

 

já kung fu boys, sob tratamento tipo jazz para trilhas de cinema, é de uma psicodelia que só john lennon poderia entender e receitar. linda com (e como) pouca coisa.

 

gostaria que uma série assim, com jazzistas indies, o caso do in the country, ou não, mas cheios de frescor, vingasse mesmo. será que consigo?

 

ps tardio: me senti bastante tentado a inverter o dicurso, pelo menos do início do texto, trocando a palavra "jazz", em todas suas ocorrências, pela palavra "pop", e vice-versa. não será então a música pop a arte do momento e do reflexo? é, claro que sim.

 

http://www.myspace.com/inthecountrytrio



Escrito por claudio às 19h43
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