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modern tanzmusic
camisa listrada laranja degradê
não queria a mesmice de sacar uma banda da austrália, o que seria a seqüência normal da minisérie que informalmente estabeleci com kes e depois com o minimum chips.
já que falei do brasileiro o filme e do minimum chips no último txt, duas bandas que colhem da psicodelia chique dos anos 60 e 70 sua própria linguagem, quis tentar achar na manga alguma coisa de proposta similar. mesmo sabendo que não é tudo farinha do mesmo saco. o filme, por exemplo, muito mais próximo das experiências progressivas.
mas de qualquer forma, é por querer continuar esse tema da psicodelia mofada (com seu caldo que inclui, claro, o convencionado french pop) que hoje publico os franceses do modern tanzmusic (clique), que há muito tempo queria publicar. principalmente depois de uma conversa com amigo de amigo meu, ele residente em paris, que diz que nada acontece de muito bom por lá atualmente.
deu vontade (mini-revolta) de provar que é mentira, e ao mesmo tempo mostrar essa banda de paris que poderia bem ser trilha de qualquer filme colorido e hedonista do jacques demy, mas fermentado por traços que só poderiam ser adquiridos nos anos de 2007. é só sacar 'l'automobile', aliás carros (depois de mulheres) tema predileto de demy, e seguir até o miolo praiano post rock que ela esconde, coisa fantástica mesmo.

às vezes lembra lance setentista de filme de polícia, nos EUA, dá na mesma. como uma trilha de perseguição de carros pop, em que o policial sai do veículo para tentar capturar o bandidão que, ludibriando-o, entrou no prédio com aquelas escadas de incêndio vintage. é esse o aroma de 'templo diablo'. malandragem de cinema de verão, quase tropical, nos estados unidos que paris - godard e demy incluídos - adora(va) como ninguém/não outro lugar.
na verdade o modern tanzmusic, liderado pelo indie "laurent", diferente d'o filme e do minimum chips, satiriza um pouco essa estética franco-cinematográfica toda, esse glamour vagabundão, vide figuras utilizadas na página. provocam o senso indie comum também, com esses trajes multiplicados e berrantes, como se fossem bonecos cosmonautas de brinquedo, de coleções FC da década de 60 pré-invasão da lua. parece tudo de brincadeira, alegórico, maneirista, para criar diálogo inusitado e paródico com a época. mas sei que as composições e o som eles levam a fundo e com senso de inovação/ atualização a cada compasso, a cada idéia. senão a brincadeira nem seria viável. é tudo muito consistente e conseqüente. massa.
olhem só as influências declaradas dos rapazes: brian wilson, francois de roubaix, baden powell, antonio carlos jobim, serge gainsbourg, eumir deodato, joa donato (heheh), kraftwerk, soft machine, the kinks, stevie wonder, can.
gostei. tudo a ver.
http://www.myspace.com/mtanzmusic
Escrito por claudio às 20h37
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