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kes
a fazenda de todos nós
completamos a primeira metade de 2007 e até aqui o nome do disco do ano é the grey goose wing, de uma banda chamada (clique) kes. kes who? tô escutando direto um disco arrebatador e bonito chamado the grey goose wing, e nem sei o que é kes. não sei nada sobre nada disso, apenas o fato de que é da fria e cosmopolita melbourne, na austrália. 'kes é uma pessoa só. eu, karl e. scullin. eu agora toco com uma banda, mas já toquei sozinho e gosto de fazer as duas coisas. a formação da banda muda, mas o nome vai ser sempre kes.' é, o "evento" me fez correr atrás da primeira entrevista da história do blog.
é verdade, passei uma cara com o disco no ouvido, depois de conseguir baixá-lo encantado com a impressão mutcho louca que tive via página no space. a primeira música que havia lá (chama one seventeen, não está mais) é uma que poderia redimir toda a cena de famigerados flautistas paraguaios presente no centro trash de são paulo. é uma faixa psicodélica/indígena-paraguaia com flauta, que, próxima também do progressivo ruralizado dos anos 70 feito no UK, é a redenção de um estilo. aí escutei uma outra faixa, cujo refrão era uma galera gargalhando hilariamente. como sua priminha de 3 anos gargalhando, e você, com uns 13, gargalhando igual. "only when asked". fui arremessado para outro canto da mesma roça.
nossa, pra onde vai? 'aqueles sons são uma tentativa de colocar o álbum em um espaço ou posição diferentes, então o objetivo era que quando você escutasse o disco, você fosse transportado para fora do ambiente do seu quarto. quem faz os sons e as vozes são participantes da banda kes, amigos e outros músicos que me ajudaram a gravar.' aí baixei. e a impressão foi ficando cada vez mais confusa. de repente começaram a sair de um celeiro uns porquinhos e burricós, e as crianças que riam abriram uma porta e voltaram. e depois chega uma música-clima com pedais de guitarra que o wilco se arriscaria a fazer. com instrumentos mixados de forma vintage, singular e verdadeiramente psicodélica, o álbum me conduzia a uma fazenda aprazível e perturbadora, repleta de recantos diferentes, fruto visual de película de algum filme velho que eu devo ter armazenado em sonho. uma fazenda que todo mundo deve ter.

karl fala: 'passei um tempão quando jovem na parte rural do estado de victoria. eu queria que o som do the grey goose informasse e fosse construído por minhas lembranças daquele tempo. para fazer uma coisa que soasse unicamente australiana. há um encolhimento na austrália em relação à cultura, algumas pessoas consideram que o país não tem uma cultura própria. tento fazer algo que faça 'sentir' a austrália, o que para mim ela remete.' é, e isso me remete ao meu post sobre o flying scribble, outra banda de lá sobre a qual escrevi. há algo grande, significante acontecendo nessa ilha-continente, que agora tenho certeza que diz respeito à identidade cultural e sonora. e ao progresso de pesquisa, descoberta e realização artística premeditada (sublinha-se) em torno dessas duas questões, cultura que cobre o território e som.
'em melbourne há uma saudável cena de grandes e interessantes bandas fazendo música. elas não ganham nenhum tipo de reconhecimento, a não ser de um relativamente pequeno número de pessoas interessadas de verdade em música.' uma parte representativa dessa cena está condensada no selo do próprio kes, o mistletone. é massa tentar ficar ligado.
http://www.myspace.com/kesband
Escrito por claudio às 17h05
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