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agaskodo teliverek/ souls she said
inglaterra 2 paralela
como já havia escrito no último post, estou em uma fase de detectar e apresentar preciosidades novas e meio ocultas da ilha. manifestações diferentes e paralelas à atual música inglesa que está por aí no ciclo dos holofotes e promoções. hoje dou seqüência à série com mais duas bandas. ambas têm a psicodelia, a viagem exploratória, como um sofisticado propulsor criativo. mas cada uma vem com apelo próprio e quase inverso: a primeira mais sacana e cômica, a outra mais romântica e clássica.
eu gosto dessas entidades bizarras da música porque elas não permitem muita explicação, quando muito, especulação. o que torna tudo mais divertido. abrindo o post, temos dois jogadores de futebol do leste europeu imigrantes na inglaterra. miklos kemecsi e tamas szabo, que formam o agaskodo teliverek (clique no cinza). eles tocam música de festa e reuniões em geral, de qualquer tipo, seja um encontro entre jogadores de winning eleven, seja uma rave avant.
beats, teclas infantis, samba, rock inglês, em músicas que parecem aqueles personagens engraçados do scooby-doo que, ao final, vão tirando máscara sobre máscara até se revelarem. a obra dos caras tem essa tônica de construção: imagem (sonoridade) falsa sobre imagem (sonoridade) falsa, e, curiosamente, o todo se revela bastante marcante e consistente. fiquei apaixonado pela não-canção 'valeria lobelia', que parece um gentle giant, banda inglesa de math-prog dos anos 70 (pai do grande battles), regredido em idade e reimplantado no rio de janeiro. e é bonito, com tudo isso. sem letras e sem voz os caras conseguem lapidar, mesmo assim, narrativas hilárias em suas músicas.
'stupid girl' é a leitura cômica mais animal para certos clichês do rock inglês que eu já escutei. é um lindo bate-cabeça de pista surreal, que remete a um arctic monkeys mais jazz. envenenado por todo tipo de timbre e exagero sonoro afetado, pronto para tocar em uma festa para crianças e idosos bem loucos.
já o souls she said (clique no cinza), é uma banda que os mais despudorados, eu talvez me inclua, poderiam etiquetar às vezes de rockão clássico. quase como um led zep, mas em transe psicodélico absolutamente moderno. 'floor on the floor' tem um falante que estoura no refrão, produzido um zunido anabolizado, de um bicho ou de escavadeira lunar enorme.
são dois caras, jon e don, meio andrógenos, que, com uma delicadeza dançante interpol, tb flutuam dentro da nave construída no pátio da fábrica lcd soundsytem, com pintura colorida especial feita pela firma do flaming lips. é bonito por ser bonito. e a raiva depurada, meio bicha, de algumas sonoridades meio à sonic youth nunca deixa de expressar romantismo, um romantismo realista e maduro.

capítulo encerrado, já temos quatro bandas inglesas novas que eu acho responsa, os brit 60's do veldt (classudo) e do pete and the pirates (rocker bebum) e dois lados complementares da psicodelia (o mix refinado do souls she said e a algazarra sonora do agaskodo teliverek). depois tem mais.
www.myspace.com/agaskodoteliverek
www.myspace.com/soulsshesaid
Escrito por claudio às 21h16
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