| |
the pop project
academia
1 - passei a semana inteira ouvindo o disco mais recente do paul (que leva o sugestivo nome de chaos and creation in the backyard), uma masterclass animal de contemporaneidade no pop, e talvez por isso tenha me sentido inclinado a planejar uma "pauta" para o blog que fosse coerente com essa minha passagem cotidiana. qual é a idade do paul?
2 - ontem estava com um amigo discutindo o disco novo do wilco, sky blue sky. um disco radical em inúmeros aspectos, um deles na maneira que se assume, convicto, como um play de rádio pop fm de 1973. meu amigo sabiamente denunciou o álbum da banda de jeff tweedy como um disco "tipo almost famous" ("quase famosos", mais conhecido como o filme bom do cameron crowe). de que tempo é jeff tweedy?
essas duas correntes de inspiração se uniram para pavimentar a idéia de hoje, que é trazer alguém novo que, enfim, encarne também esse lance da pesquisa pop. a banda que apresento hoje é de detroit pistons, michigan, e seu nome é, bem, the pop project (clique no cinza).
são bem da modernidade esses metacaminhos: um grupo de teatro formado sob diretrizes shakespearianas que só encena... shakespeare. uma banda pop que se presta a tocar e a esquadrinhar... o próprio pop que cresceu escutando. no caso desse “o projeto pop”, trata-se não mais de uma banda pop; é uma banda manejando, titerizando, os fios desse boneco chamado pop.
quem inventou tudo isso, paul mccartney, segue pesquisando o pop, introjetando-o quase numa atmosfera de câmara (pop de câmara) rumo, quase, a uma vanguarda real. não que o paul seja o flaming lips, mas o flaming lips horrorizaria com a escrita básica, crua, de piano de cauda roots dos dias de hoje do paul. é isso que quero dizer.
mas jeff tweedy e o the pop project, que são filhos dessa academia pop, não. eles, curiosamente, ao contrário, vão descobrir a vanguarda justamente dentro e através do “batido”, do já experimentado por muita gente. são reflexos, aplicam novas imagens e maquiagens, mas são reflexos.
o dr.dog, banda da filadélfia que é abastecida por um espírito americano 68-bigodão e camisa xadrez, lançou um grande disco esse ano, we all belong - debruçando-se sobre o mesmo tipo de laboratório. quanto ao the pop project, o que você vai encontrar é um mutante de sonoridades e paisagens americanas dos anos 70 e 80, percorridas por uma sonda espacial desregulada, com carroceria de caddilac e pintura vermelha. banjos, guitarras, carrões.
ou seja, uma mistura do soft rock classe no limite do wilco em sky blue sky com esse esforço cafona e lírico do dr.dog. vide ‘stand in’, hit pós-motown, com um molho agridoce e branco, e ‘hearts and flowers’, um powerpop, meio doobie brothers, perdido em 1971. todas do quase-lançado-já stars of stage and screen, discão.
o que eles (wilco, dr. dog, the pop project) têm em comum, e aí eu incluo também o fodaço field music, é pensar o pop retrospectivamente, mas com pulsões de vanguarda (já que o que fazem não é simplesmente copiar, é recriar o irrecriável) e principalmente, com sabedoria. enquanto isso, paul, um heremita, com sua bagagem de artigos duradouros, manufaturados em 1967, segue perplexo em 2007, acampando em lugares meio ermos, e reinventando, de fato, a (sua) roda, em alguns momentos. a lógica é contrária, e tão fascinante quanto.
http://www.myspace.com/thepopproject
Escrito por claudio às 17h13
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|