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flying scribble
de onde eles vêm? (ou, a austrália é dos outros)
tenho não mais que 30 minutos para escrever esse texto. dias atribulados esses recentes, não deu para atualizar na data certa, que seria sábado. em relação à banda dessa semana, que eu já revelo aqui sem enrolar, o flying scribble, pensei muito em um dos meus programas favoritos, o seriado lost.
e pensei muito também na caracterização que impus ao thee more shallows no último post: uma banda da califórnia pós-desastre sísmico definitivo (bondinhos de san fran rolando à baía e tal) - uma banda que não parece compatível com a califórnia. tentei dar continuidade a esse contraste: entre inventário geográfico e pulsões estéticas. lugar vs música. a idéia era dar seqüência a uma provável série de bandas deslocadas em seu "ambiente". tomando ambiente como algo que aprendemos a identificar. como a califórnia dos beach boys e do pavement.
eis q me deparei com essa beleza australiana de psicodelia meio escura e delicada chamada flying scribble. o que diabos eles emanam da 'ilha' dos marsupiais? talvez nada, em uma primeira experimentada, tendo como referência um architecture in helsinki. o que me fez enredá-la no universo de "desenraizados" do thee more shallows. mas talvez emanem tudo. afinal, onde exatamente é a austrália? ou, melhor, o que é exatamente a austrália? (continua depois da foto).

quanto ao lost, o fato de os personagens terem embarcado lá em sydney, e caído não muito longe do "perímetro" do território (a princípio, porque talvez estejam mesmo no tennessee), alimenta e requinta mais esse imaginário, pertencente a austrália, de terra de ninguém, terra provisória. imaginário misterioso, alicerçado desde seu início como ilha de cárcere para bandidos ingleses. a austrália está aberta a qualquer caracterização, a qualquer preenchimento, "colonização" (estética inclusive).
o legal é que as bandas da austrália são todas bem singulares, porque sua cultura é exatamente uma (interessante) conjugação de diferentes culturas e estímulos.
mas o flying scribble, essa criatura mutante de sintetizadores da década de 80 e de um ímpeto psicodélico pós-roque (com um teor space-sessentista on the road tb), poderia entrar na seleção de uma impossível "trilha" para o lost... o que não deixaria também de finalmente caracterizar, de forma contraditória ao que escrevi no parágrafo acima, uma estética do campo aberto e da perdição - bem australiana no caso. puro impressionismo, mas ok.
o que importa é conhecer a banda, que (impopular) é realmente um achado intrigante. e é, não custa repetir, uma beleza, condensada nas figuras pastorais moderninhas-estilosas dessas duas musicistas "siamesas", gray e louise (uma mais tecladista e outra mais vocalista, ao que parece). curto muito essa foto na caminhonete roots estilo wolf creek - filme de terror desses tempos, e bem australiano.
www.myspace.com/flyingscribble
Escrito por claudio às 22h59
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