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thee more shallows
feio
estava pensando outro dia sobre a vocação "programática" do blog. gosto da idéia de séries de posts, pensadas sob diferentes critérios: afinidades estéticas, geográficas, coincidências como integrantes bizarros. não sei exatamente o que pode vincular a última banda que postei, o taigaa!, a essa de hoje. mas acredito que haja um jeito de ligá-las.
o mais fácil seria dizer que são 2 bandas "difíceis". que processam e captam, com força erudita, sons de lugares e imaginários distantes: bandas "de radar", projetado pela NASA (modelo 2027). constantemente perguntamos "onde estamos mesmo?", pois são bandas que reformam os espaços no rock, como se houvesse uma lembrança manchada desses sons. como se soubéssemos onde estavam, mas ñ exatamente. elas tb propõem novas texturas e astrais para o pop, com sintetizadores, violinos e guitarras discutindo democraticamente, num palácio aristocrata.
mas a razão melhor para a postagem de hoje é afetiva. se o taigaa! foi é minha nova grande descoberta, pois é uma enorme banda de fato, vou mostrar aquela que talvez tenha sido minha primeira descoberta no site. eu queria pegar o rastro de uma banda federal, e meter outra em seguida. só que mais oportuno: essa banda de hoje vai lançar oficialmente, e daqui a uns 10 dias, aquele que é pra mim o disco foda do ano (por ora).
na poeira do taigaa!, apresento o thee more shallows. a importância de estar fazendo isso, nesse momento, aqui no wordpad, me deixa inseguro quanto ao que continuar dizendo. nessas letras podem ter certeza que está rolando uma titubeação. bom, essas linhas, acidentalmente, acabam dizendo o que eu pretendo sobre o thee more shallows - toda a pompa para os reis do metal.

nas minhas primeiras escavações, procurando coisas interessantes, descobri esses caras de uma estranha e insular califórnia, pós desastre sísmico talvez. seu som, de san francisco 49ers, decididamente não deve nada aos beach boys. bom, baixei os cds, virei fã. eu + ou - tento explicar o que acho da banda aqui. para mim se tornou, desde aquele momento, a mais promissora do cenário americano.
promissora porque eu ainda guardava certo ceticismo. os dois discos, history of sport fishing (hahah) e more deep cuts, cravavam músicas sublimes, de uma beleza sinfônica, só e ao mesmo tempo íntima de quem ouvia as canções. eles, no entanto, sofriam de inconstância. a beleza rigorosa, lapidar, era uma premissa de honra, mas ela não conseguia tomar todas as músicas.
o que fazer então? desistir da beleza? não, mas assumir a opacidade, a imperfeição, o turvo e o impulso (o disco é curtíssimo!) como partes da... beleza. desse amadurecimento de poluir a beleza, que não desapareceu, veio o disco novo. book of bad breaks reforma a doutrina synth-pop do depeche mode e do joy division (vide a primeira no myspace) e a lê sob a fúria metal de um judas priest. progressivo, dialoga com o tv on the radio e volta a um rock incandescente e setentista, meio deep purple, na obra-prima eagle rock (baixe). esse disco do tms sobre o próprio imaginário do rock, esse disco feliz de constatar a tristeza, seguro finalmente e aventureiro, deve ser o mais feio e o mais belo de 2007.
www.myspace.com/theemoreshallows
Escrito por claudio às 18h07
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