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rolls
beleza inesperada
a quarta banda da série azul e amarela é uma dupla formada por dois ultra-indies nórdicos: marcus e micke. gostei bastante do som do rolls (clique no cinza), principalmente porque o que ele tem de simples e errado é o que o torna forte e imprevisível (e virtuoso - no sentido exato).
as canções são de uma quase-imprecisão rítmica que faz com que eles quase derrapem toda vez. e quando eles chegam perto da derrapagem, é delicioso. porque é perto dela que eles nos apresentam a cartada: sons fora do tempo, levemente. notas básicas quase fora de lugar, passando a não ser mais tão básicas. sempre expressivas. as canções do rolls são também de uma quase-desafinação, que nos faz próximos deles como se fossem a banda preferida de nosso colegial. a desafinação não nos afasta.
essa imprecisão nos dá a dica sobre a selvageria, no melhor sentido, dessa banda dos dois suecos, eternos colegiais eu apostaria. é quase como se a cada momento pudéssemos esperar por algo diferente, uma nova rota, por algum gesto fora do protocolo. o inesperado - selvagem - que faz as coisas serem vivas.
um coral esganiçado, forçado, que chega delicadamente (!) para anunciar a presença improvável de um jovem mas imponente xilofone (tipo isso, em "repeater"). 'instrumento' que, por sua vez, dá conta de construir a imagem de adolescentes em um jardim de estocolmo qualquer, empenhando-se em algum jogo noturno, que inclui se esconder pela encosta do lago e imitar os sons dos pássaros por ali (comprove, é verdade).

esse cancioneiro indie invernoso é melancólico e divertido, é frágil e ao mesmo tempo marcante (ouça “secret things” agora). difícil escrever sobre o rolls porque francamente ele não tem nada demais, mas tem muito, ao mesmo tempo. eles parecem pouco querer dizer, mas é difícil passarmos sem nos envolver com o que é dito. é fácil embarcar na pureza e em sua inventividade pop selvagem.
são como uma mistura de blur com suas raízes, guided by voices com seus antepassados, arcade fire com seus tutores, num complexo e curioso confronto entre primitividade de postura e um "evolucionismo" sonoro - não tocado com deslumbramento nem austeridade. e a beleza é produzida desse confronto inesperado.
o rolls, foco da minha quarta exploração sobre a música pop escondida na suécia, pertence à mesma turminha de (postados abaixo, nas semanas anteriores) magnus, mathias, canarie records, piotor (projeto coletivo em que não entram, talvez por serem colegiais velhos demais, repetentes sei lá). são os meninos mais velhos chamados pra jogar bola, mas não para todas as zoeiras e confidências. e vale a pena ficar de olho neles.
http://www.myspace.com/rollsmusic
Escrito por claudio às 12h00
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