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tacks, the boy disaster
viajando pelo mundo, sem sair do deserto (no inverno)
últimas voltas do ano. quero ir fechando com a beleza e com a plenitude. chego então de tacks, the boy disaster (clica). circulando por austin virtual outro dia esbarrei nesses cactus plantados sobre a neve, em grande experiência pop. porque são músicas que eu já ouvi um dia, mas ouvi pela primeira vez de novo. matilda e paris são duas canções, ou duas cidades, ou duas garotas, com arrojo percussivo - com esses tambores sinistros sublimes - que me lembra o peso roots do grizzly bear, a banda americana de 2006. são os momentos grizzly, e agora também os momentos tacks, the boy disaster (o melhor nome já inventado), das viagens de carro não viajadas.
dreamy road music. essas viagens, em meio a geografias intermináveis rochosas, que não se concretizam. que se limitam a um plano mental, embora não te privem de deixá-lo no destino, e te permitam a construção de um álbum de registros.
forget-me-not é os beatles em um circo decadente, daqueles itinerantes de lona furada e animais doentes. melancolia? não só. é uma alegria dopada. uma alegria à meio-cinza, que é a cor desse disco que também sofreria de má leitura se fosse definido apenas como meio-cinza. eu diria melhor que é um cinza e meio.

loucura essa austin. cidade texana cravada no deserto (?), é pequena que não deve ser a metade de BH, com suas comunidades planejadas. produz bandas tão boas, com essa vibe densa e intimista, e desalojada do imaginário da música americana de interior. bandas que mostram, porém, composições que não deixam de ser "country", na pulsação essencial e rústica que carrega as linhas melódicas e esses batuques soturnos do mal que citei. a primeira é a minha favorita, frozen feet. porra, os caras não estão em austin (pés gelados). é tb uma atualização fantmasmagórica do pop urbano de FM 1986 de alta classe. billy joel?
a grande contribuição do tacks, the boy disaster é juntar essas reservas melódicas, esses países e viagens da canção mundial/americana e construí-los dentro de um parque temático e atemporal só deles. um parque indie mundi, com instalações desativadas no verão, que deve funcionar em austin no inverno... mas uma austin... só deles. que não nos permite gerar e ver as pontes culturais mais fáceis.
consegui o ep. chama oh, beatrice. grande obra. o tacks vai ser uma das bandas a se acompanhar SERIAMENTE no cenário indie que vem sendo desvendado nos EUA. parece que é tacks (um cara) + 3, e têm um blog. aqui vou disponibilizar em bitrate decente algumas músicas classe. salve destino como:
-paris, -forget-me-not, -matilda
http://www.myspace.com/tackstheboydisaster
Escrito por claudio às 14h36
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