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boss the big bit
skate de botão

descobri bem por acaso esses moleques de davis, california, que devem fazer parte de um seriado dos anos 80 sobre hoje em dia. o nome do seriado, e da banda, é o boss the big bit (clica aí). imagino um cenário na casa deles, com uma família esquema family ties (célebre programa com michael j. fox aos 25 anos interpretando alguém de 16) experimentando os anos 80 americanos e, ficcionalmente, os atuais anos tb, em uma cidade de subúrbio classe média alta. ao alcance da tecnologia e de todas as outras vivências da época, estilo videogames vintage e festas não exatamente boas nem ruins.
na verdade me cativou a proposta videogame pop dos caras, que me parecem absolutamente desencanados na concepção de uma new wave de sintetizadores de segunda mão completamente lo-fi. uma new wave que rola alimanteda por um astral de apartamento, internet e brinquedinhos de computador típico de agora. devem ensaiar em uma casa-ap cheio das parafernálias bacanas, e assombrado pela presença kitsch-prog da inglaterra cinzenta tipo de 83, que ressoava nos EUA tb. reciclagem sonora, no sentido de tirar do lixo e reutransformar mesmo, muito louca é o que fazem. aparelhos velhos-novos, linguagens velhas-novas.

colegial americano e sintetizadores espertos sempre me lembram mates of state (http://www.myspace.com/matesofstate), e a banda matrimonial cheer-leader da dupla kori e jason me vem mesmo a mente escutando o boss the big bit.
há também um componente diferente aqui, uma testosterona pós-hardcore que escorre selvagem e engenhosamente dos acordes de 1400 calories, por exemplo. um componente que me ajuda a montar um universo ainda mais americano e escolar para essa banda fruto típico do myspace, onde as tendências e épocas parecem desobedientemente ganhar unidade, concretude, em vários tipos de expressão misturadas (eletrônica, indie lo-fi).
a terceira música, urban manatee, chega a lembrar o canadense progressivo rush tocado de forma eletronizada por uma banda pós-hardocre dos anos 90 tipo faraquet, dessas que tornaram o skate uma cultura avançada e nobre. lindo. voltando a 1400 calories, a música trata sobre algo tão corriqueiro - sorveteiro, dia de sol, gordura - que se torna encantador mesmo sem (eu) saber exatamente a respeito do que é.
os caras falam no site "se quiserem saber sobre a gente, venha nos perguntar nos shows". ok. maravilha, um dia, em uma viagem pelas profundezas desse universo paralelo chamado califórnia, vou perguntar. bem divertido.
e eu nem vou falar sobre batizar uma banda de boss the big bit... ducaralho.
http://www.myspace.com/bossthebigbit
Escrito por claudio às 16h03
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preciosidades
discos do inlets e do the receiver para baixar e ouvir
dois (clique aqui) tesouros dignos de registro. dois (aqui tb) registros dignos de acabar no tesouro nacional das artes americanas. tá difícil conceber a lista de melhores discos do ano. o projeto para mim já estava meio que fechado, mas coisas novas surgem e eu me complico. é um orgulho dizer que dois dos melhores discos de 2006, revelados a mim essa semana, são de bandas já postadas aqui no blog.
um deles é da dupla de irmãos casey e jesse cooper da universidade de ohio (columbus), the receiver. a banda parece transitar entre o laboratório de física e a janela para o campus em que o vidro expõe as festas das fraternidades bombando. é um rock de atmosfera e beleza dificilmente vistos contemporaneamente, e eu acho que a foto dos 2 deveria estampar selos do correio americano, nessa coisa confusa e fascinante de serem objetos meio do passado e ao mesmo tempo visceralmente fincados nessa cultura. dizem que o álbum é um trabalho de TCC dos caras.
é como se o elliott smith não tivesse morrido mas sim entrado numa nave e pousado em 1975, em alguma banda americana pós-progressiva da época. estaríamos ouvindo os registros desse de volta para o futuro agora. eu já sabia disso, mas o disco confirmou. é uma beleza de concisão e retórica pop.

no meu mega post sobre o brooklyn, o centro era sebastian krueger e seu inlets. pois é. ele lançou um estranhíssimo ep de 8 faixas e uns 35 minutos, o que na década de 70 eu chamaria de álbum. disse q o cara mora numa casa da árvore em plena NYC, olhando passado e futuro intercruzando-se, com orquestrações folk sublimes e modernas. o ep comprova a idéia e me faz pensar em um campo mágico entre a terra dos brinquedos e o sótão do sebastian. se esse é o "ep", deve vir algo devastador proximamente.
é perto disso, o ep gigante é um halls preto de exuberância intimista e experimentação sobre a beleza. a melancolia não chega a machucar: te acompanha, amiga. densidade e alcance sonoro comparáveis ao que melhor sai do mesmo bairro, o brooklyn.

via myspace sebastian pediu pra divulgar. bom, se ele pediu né...
aqui o disco vestibule inteiro para baixar. eu vejo como um presente pro mundo.
http://www.luvsound.org/release/luv012/
o do receiver é + difícil de achar para download, mas está todo disponível pra audição de qualidade no site dos caras (seção "media").
http://www.thereceiverband.com/
endereços de myspace dos mallanders:
http://www.myspace.com/thereceiver
http://www.myspace.com/inlets
Escrito por claudio às 12h19
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