circo escolar de porto alegre

cheguei na gig dos caras, na cega. cheguei cedo. tinha uma estrutura ciclística montada debaixo de uma instalação com sucatas e um varal. por estrutura ciclística entende-se uma conjunção de carcaças de velhas bicicletas, uma de criança e outra não. tudo naquele palquinho pequeno da funhouse. que porra é essa, perguntei, achando muito louco. as sucatas e as bikes seriam para "bater". e tirar som.
bom, o show foi simplesmente um dos melhores que eu vi esse ano. superou as expectativas (nunca tinha escutado nada da banda).
a qualidade performática do apanhador só, amparada pela ambientação de laboratório lúdico das percussões, coordenadas aliás por uma pequena que é tipo uma mistura de hermione do harry potter com o percussionista doidão naná vasconcelos (impressionante), é do caralho. mas como se não bastasse isso, as composições são especiais, em sua construção geralmente simples e envolvente. muito boas.
exibem todo o clima de presentinho enrolado num barbante (!), que é o encarte do disco deles.
são engenhosas mesmo sendo fabricadas sob um princípio de delicadeza pop escolar. são as tardes ensolaradas de porto alegre, passeadas de bike, por pequenas histórias juvenis de festas, árvores, bares old school e amores que não chegam a ser exatamente daninhos ou dolorosos. as músicas parecem ter sido escritas em um caderninho. pouco importa, por exemplo, é simplesmente genial nesse astral.

vão falar que parece los hermanos? já falaram.
qualquer coisa com lirismo e "brasilidade" é vista como seqüela do los hermanos. tá errado.
os caras, além de uma juventude mais espontânea, têm uma brasilidade mais "laiaaaa laiaaaa", "maria augusta, vera e josé nos convidaram para um arrasta pé". coisa meio churrasco em agosto de 72 na casa do pepeu gomes, com beto guedes na grelha (incrível a semelhança física entre o vocalista alexandre e beto, aliás) e jorge ben cuidando da cerveja. e cultivam uma concepção de melodia mais puramente sessenta/ setentista, mais "psy" e não menos sofisticada, porém, que o "guanabarismo" pé quase descalço dos hermanos.
e pqp, a pequena toca, além de bicicleta - tipo, ela faz a roda girar e passa um instrumento de ferro até quase gerar umas faíscas - uma bexiga (!), em três "níveis". passa algo na superfície da bexiga, produzido som, faz a borracha assobiar enquanto esvazia e depois explode. isso é elemento de percussão, mas com grande consciência de arranjo. naná na escola de feitiçarias musicais. belo cirquinho de emoções jovens o apanhador só nos dá.
falta organizar melhor a página no myspace, fazer por exemplo aparecer os amigos e os comments. mas estão lá 4 músicas do disquinho que eu ganhei. belas músicas pop, aliás. uma das gratas revelações dos últimos meses pra mim no brasil.
http://www.myspace.com/apanhador