passeio por montreal, dentro da garrafa

vou escrever uns textos mais enxutos aqui pro blog.
a grande prova de fogo para essa missão de estilo será esse txt aqui. 3 bandas da nova safra canadense, 3 bandas de montreal, cidade cuja réplica eu gostaria de ter em uma garrafa. e entrar de vez em quando, à noite, quando ela se iluminasse, pequenina. muita coisa boa vem de lá: wolf parde, arcade fire, frog eyes, final fantasy. é um dos pólos centrais da inteligência musical jovem em 2006. escolhi postar três bandas que estão no meio do vendaval criativo da cidade.
o orillia opry (clique no cinza) é um folk bem plugado com uma herança de crosby, stills, nash & young. é um carro turbinado de garagem do interior, ainda envenenado pelo lirismo indômito de um nick drake.
o plants and animals (foto do post... clique no cinza), com seu espírito lisérgico on the road, lembra muita coisa da década de 70, como os canadenses do mountain e o mito prog rock king crimson. faerie dance é uma porrada com violinos e piano. dialogam como motivos de uma marcha de um exército de robôs de pelúcia por uma cordilheira. psych.
o som tem toda essa carga 70's psycho, mas com a sofisitação e a densidade intrumental das modernas tipo wolf parade. é o rock progressivo atualizado sob caligrafia folk em montreal. fudidamente incrível como em dance o violino é usado como instrumento prog para se transformar em um ornamento country na passagem seguinte...
a terceira música vai crescendo, crescendo e nos dá com total realismo esse lugar entre os 70 e hoje em que mora essa banda caleidoscopal. um mini-hino pós-country com crosby, stills, nash and young como referência. já o patrick watson (clique aqui) lançou um disco chamado close to paradise, aliás, com a imagem da tal garrafa na capa. algumas músicas são o máximo, exibindo um talento orquestral similar ao do grizzly bear (link no nome em cinza). talento que o plants and animals exibe tb. ter a garrafa é estar perto de um paraíso, engarrafado, impossível de entrar.

bom, a música desse cara possibilita a entrada. ele, na vibe de seus compatriotas sabe dar dimensão geográfica às sonoridades e às composições. o resultado é uma coleção de harmonias sofisticadas e atmosferas inebriantes, condensadas em um perfeito acento pop. dá pra tocar em festa e o piano soa mais radiofônico do que erudito (caso do plants).
a influência de phillip glass é grande: o que não estraga. ela acaba servindo para as músicas. soando bem no "conflito" com outras influências (flaming lips) e com o q pat tem de original - exatamente a ligação dele com o agora, com o que montreal produz e sente.